1 de outubro de 2026

A REALIZAÇÃO DA VONTADE DE DEUS

 

A REALIZAÇÃO DA VONTADE DE DEUS

Romanos 12.1-12

 

INTRODUÇÃO

A Epístola aos Romanos é considerada a obra-prima de maior conteúdo teológico sobre a doutrina da salvação. O propósito de Paulo ao escrevê-la era ensinar as grandes verdades do evangelho a respeito da graça salvadora divina. A ênfase do conteúdo doutrinário, capítulos 1 a 11, tem como tema a justiça que vem de Deus, imputada aos pecadores culpados e condenados ao manifestarem sua fé em Cristo.

Os capítulos 12 a 16, de conteúdo essencialmente exortativo, tratam da aplicação prática das doutrinas da graça à vida de cada cristão e à igreja de modo geral. Esta seção é iniciada com um apelo dramático a todos os remidos, que se entreguem sem reservas a Deus, apartados de tudo que está relacionado aos interesses mundanos a fim de que possam discernir a vontade de Deus: o que é bom, o que lhe é agradável e perfeito.

O mundo em que viveu a igreja no passado, não difere do atual, no que diz respeito ao estado em que a humanidade degenerada vive submersa no pecado. Por esta razão, a demanda urgente de Deus através deste texto sagrado é que todos os crentes da igreja atual discirnam e vivam segundo a sua soberana vontade. Nesta passagem de sua epístola, o apóstolo Paulo propõe que a realização da vontade de Deus resulta de uma legítima consagração de vida. Mas, o que Deus EXIGE para executarmos a sua vontade soberana? Como resposta a esta questão, Deus nos faz três EXIGÊNCIAS.

 

1.      A primeira exigência é a dedicação de todo o potencial de nossa natureza física – “... que apresenteis o vosso corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (v. 1).

Argumentação – temos três motivos para consagrarmos nosso corpo ao serviço de Deus:

Primeiro: nosso corpo foi designado por Deus para um propósito sagrado - “... o corpo não é para a prostituição, mas para o Senhor, e o Senhor para o corpo” (1Co 6.13). A Palavra de Deus nos declara: “Não sabeis vós que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1Co 3.16); “não sois de vós mesmos... Porque fostes comprados por preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo” (1Co 6.19-20); “Pois, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, quer vivamos quer morramos, somos do Senhor” (Rm 14.8).

Segundo: consagramos nosso corpo a Deus para mantê-lo isento das contaminações da carne. Mas isto nós só conseguimos pelo repúdio à promiscuidade – “Fugi da prostituição. Qualquer outro pecado que o homem comete, é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo”. (1Co 6.18).

Terceiro: consagramos nosso corpo a Deus porque já fomos libertos do domínio do pecado – “PORTANTO, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte” (Rm 8.1-2). “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para obedecerdes às suas concupiscências” (Rm 6.12); “Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Rm 6.14).

Aplicação - Nosso corpo é mais do que o “casulo de nossas almas”; é o instrumento por meio do qual Deus executa suas obras no mundo, em cumprimento de sua vontade soberana. Por esta razão, jamais devemos permitir que o diabo profane o santuário de Deus.

 

2.      A segunda exigência é um padrão moral elevado que defina uma conduta ilibada – “não vos conformeis com este século” (v. 2).

Argumentação: – conduta ilibada produz dois resultados benéficos:

Primeiro: o padrão de conduta ilibada nos isenta de culpa perante o mundo corrupto – “tendo o vosso procedimento correto entre os gentios, para que naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, observando as vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação” (1Pe 2.12).

Segundo: o padrão de conduta ilibada faz que nos tornemos num referencial de vida para o mundo perdido – “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5.16); “... para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrupta e perversa, entre a qual resplandeceis como luzeiros no mundo” (Fp 2.15).

Aplicação: Toda oferta a Deus deve ser expressa através da santidade de vida e da retidão de conduta. Nos dias atuais, o grande desafio de todo verdadeiro crente consiste em preservar-se imaculado, apartado de tudo aquilo que as opções da sociedade moderna oferecem, a fim de evitar a degradação da imagem de Deus, que está sendo restaurada em cada um de nós.

 

3.      A terceira exigência é uma mente renovada que viabilize o progresso de nossa transformação – “transformai-vos pela renovação da vossa mente” (v. 2).

Argumentação: – mente renovada nos habilita ao testemunho de nossa fé de duas maneiras:

Primeira: somos espiritualmente transformados quando ocupamos nossa mente com as coisas que ocupam a mente de Deus – “Se, pois, fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra” (Cl 3.1-2).

Segunda: somente os crentes de mente renovada têm a ousadia de testificar da sabedoria de Deus aos que jazem nas trevas da ignorância e do pecado – “Na verdade, entre os perfeitos falamos sabedoria, não, porém, a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que estão sendo reduzidos a nada; mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, que esteve oculta, a qual Deus preordenou antes dos séculos para nossa glória” (1Co 2.6-7).

Aplicação: O mundo atual precisa de formadores de opinião que exerçam influência no contexto social em que estão inseridos, para promoverem mudanças no comportamento humano, segundo os valores do evangelho reino de Deus. Esta é uma estratégia divina que deve ser implementada na sociedade atual por meio de cristãos de mente renovada que compartilham com o mundo a sabedoria de Deus.

 

CONCLUSÃO

Jamais esqueçamos de que a realização da vontade de Deus exige do verdadeiro cristão uma completa consagração, legitimada por uma transformação espiritual contínua. Portanto, em meio a uma sociedade corrupta na qual estamos inseridos, nosso maior desafio consiste em nos manter imunes à influência que o mundo pode exercer em nós.

Consagre a Deus todo o potencial de sua natureza física, adote como padrão uma conduta ilibada e cultive uma nova disposição mental para que a vontade suprema divina, tão boa, agradável e perfeita, se torne uma realidade em sua experiência de vida. Tributemos ao nosso Deus, a honra, o louvor, o poder e a glória, para sempre e sempre. Amém.

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