QUANDO
CRISTO FALA O CORAÇÃO INCENDEIA
Texto:
Lucas 24.13-35
José
Vidigal Queirós
Introdução
A expressão poética do tema em abordagem tem
origem na narrativa mais relevante do Evangelho de Lucas que descreve a
experiência vivenciada por dois discípulos durante sua jornada a caminho de
Emaús. Aquele foi o dia mais sombrio de suas vidas; o dia em que seus planos
fracassaram e a esperança morreu. Dia de luto e de profunda tristeza; dia em
que a decepção com a religião excitou neles a vontade de desistir e debandar.
Mas algo extraordinário aconteceu quando Jesus, através do diálogo que teve com
eles, incendiou seus corações com as chamas da esperança, ao fazer uma
exposição clara, precisa e objetiva das profecias messiânicas contidas nas
Sagradas Escrituras.
Os corações daqueles discípulos arderam quando
ouviram Jesus expor as Escrituras, explicando as razões de sua morte e
ressurreição. Isto nos faz acreditar que, no contexto da igreja atual, o mesmo
acontece com cristãos, que se tornam desigrejados, em razão de suas
frustrações. O ardor espiritual que ocorreu com os discípulos moradores
de Emaús, ainda pode se repetir em nossos dias. O texto nos mostra duas
condições para que isto aconteça.
1.
Primeira condição: discernimento espiritual da
verdade revelada
Este discernimento da verdade é necessário aos
que estão imersos numa religiosidade morta, originada por:
1.1.
Pela obscuridade da visão
espiritual – “enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se
aproximou e ia com eles. Os seus olhos, porém, estavam como que impedidos de o
reconhecer” (v. 15-16).
1.2.
Pela expectativa adversa à
realidade – “o que aconteceu com Jesus, o Nazareno [...] como os
principais sacerdotes e as nossas autoridades o entregaram para ser condenado à
morte e o crucificaram” (v. 19-20).
1.3.
Pelo desapontamento com Deus
– “Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel” (v.
21).
Aplicação – A perda
da sensibilidade espiritual é uma tragédia que surge em razão do desprezo pela
leitura e estudo das Sagradas Escrituras. Esta é a razão de existirem crentes
de visão obscurecida, desapontados com Deus, com expectativas frustradas diante
da realidade em que vivem.
2.
Segunda condição: uma fé viva firmada na verdade
divina
a) A primeira
atitude de Jesus, para avivar a fé dos discípulos, foi repreender com rigidez o
desprezo pelas Sagradas Escrituras – “Ó néscios e tardos de coração para
crer tudo o que os profetas disseram!” (v. 25).
b) A segunda
atitude de Jesus não foi uma exibição de sinais miraculosos, mas uma exposição
clara e objetiva da revelação profética registrada nas Escrituras – “E,
começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a
seu respeito constava em todas as Escrituras” (v. 27).
c)
Através da exposição das Escrituras, Jesus
ascendeu no coração daqueles discípulos as chamas de uma fé viva que os
libertou das amarras da religiosidade morta. Este foi o testemunho que eles
verbalizaram: “Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelo
caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras?” (v. 32).
Aplicação
Para que experimentemos um ardoroso entusiasmo
no coração, Cristo haverá de ser o foco de nossa meditação nas Escrituras; só
assim, haveremos de alcançar uma vasta percepção espiritual. A
verdadeira espiritualidade não se fundamenta no ver para crer, mas no crer para
ver, como disse Jesus: “bem-aventurados são os que não viram, mas creram”
(Jo 20.29). Jamais esqueçamos de que “a fé é a certeza de coisas que se
esperam, a convicção de fatos que se não vêem” (Hb 11.1).
Grave isso: o
coração de um crente incendeia, não por meio de emoções passageiras, mas
através de uma fé viva que eclode do conhecimento da verdade revelada por nosso
Senhor Jesus Cristo. Ele declarou: “Se permanecerdes na minha palavra, sois
verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade e a verdade vos
libertará” (Jo 8.31-32).
Conclusão
Amados
irmãos, o "arder do coração"
emerge em um crente, espiritualmente fragilizado, quando a essência da
verdadeira fé emana da verdade divina, revelada nos ensinos e nas promessas de
Jesus. Semelhante ao fogo, a palavra de Cristo não só incinera a incredulidade
e a dúvida, como também ilumina a mente obscurecida, trazendo clareza de
entendimento. Portanto, durante a sua peregrinação terrena, mantenha sua mente
focada nos ensinos e na pessoa de Jesus, o Rei dos reis e Senhor dos senhores.
A ele toda honra e toda glória, pelos séculos dos séculos. Amém.
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