1 de outubro de 2026

QUANDO CRISTO FALA O CORAÇÃO INCENDEIA

 

QUANDO CRISTO FALA O CORAÇÃO INCENDEIA

Texto: Lucas 24.13-35

José Vidigal Queirós

 

Introdução

A expressão poética do tema em abordagem tem origem na narrativa mais relevante do Evangelho de Lucas que descreve a experiência vivenciada por dois discípulos durante sua jornada a caminho de Emaús. Aquele foi o dia mais sombrio de suas vidas; o dia em que seus planos fracassaram e a esperança morreu. Dia de luto e de profunda tristeza; dia em que a decepção com a religião excitou neles a vontade de desistir e debandar. Mas algo extraordinário aconteceu quando Jesus, através do diálogo que teve com eles, incendiou seus corações com as chamas da esperança, ao fazer uma exposição clara, precisa e objetiva das profecias messiânicas contidas nas Sagradas Escrituras.

Os corações daqueles discípulos arderam quando ouviram Jesus expor as Escrituras, explicando as razões de sua morte e ressurreição. Isto nos faz acreditar que, no contexto da igreja atual, o mesmo acontece com cristãos, que se tornam desigrejados, em razão de suas frustrações. O ardor espiritual que ocorreu com os discípulos moradores de Emaús, ainda pode se repetir em nossos dias. O texto nos mostra duas condições para que isto aconteça.

 

1.      Primeira condição: discernimento espiritual da verdade revelada

Este discernimento da verdade é necessário aos que estão imersos numa religiosidade morta, originada por:

1.1.   Pela obscuridade da visão espiritual – “enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e ia com eles. Os seus olhos, porém, estavam como que impedidos de o reconhecer” (v. 15-16).

1.2.   Pela expectativa adversa à realidade – “o que aconteceu com Jesus, o Nazareno [...] como os principais sacerdotes e as nossas autoridades o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram” (v. 19-20).

1.3.   Pelo desapontamento com Deus – “Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel” (v. 21).

 

Aplicação – A perda da sensibilidade espiritual é uma tragédia que surge em razão do desprezo pela leitura e estudo das Sagradas Escrituras. Esta é a razão de existirem crentes de visão obscurecida, desapontados com Deus, com expectativas frustradas diante da realidade em que vivem.

 

2.      Segunda condição: uma fé viva firmada na verdade divina

a)      A primeira atitude de Jesus, para avivar a fé dos discípulos, foi repreender com rigidez o desprezo pelas Sagradas Escrituras – “Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram!” (v. 25).

b)      A segunda atitude de Jesus não foi uma exibição de sinais miraculosos, mas uma exposição clara e objetiva da revelação profética registrada nas Escrituras – “E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras” (v. 27).

c)      Através da exposição das Escrituras, Jesus ascendeu no coração daqueles discípulos as chamas de uma fé viva que os libertou das amarras da religiosidade morta. Este foi o testemunho que eles verbalizaram: “Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras?” (v. 32).

 

Aplicação

Para que experimentemos um ardoroso entusiasmo no coração, Cristo haverá de ser o foco de nossa meditação nas Escrituras; só assim, haveremos de alcançar uma vasta percepção espiritual. A verdadeira espiritualidade não se fundamenta no ver para crer, mas no crer para ver, como disse Jesus: “bem-aventurados são os que não viram, mas creram” (Jo 20.29). Jamais esqueçamos de que “a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem” (Hb 11.1).

Grave isso: o coração de um crente incendeia, não por meio de emoções passageiras, mas através de uma fé viva que eclode do conhecimento da verdade revelada por nosso Senhor Jesus Cristo. Ele declarou: “Se permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8.31-32).

 

Conclusão

Amados irmãos, o "arder do coração" emerge em um crente, espiritualmente fragilizado, quando a essência da verdadeira fé emana da verdade divina, revelada nos ensinos e nas promessas de Jesus. Semelhante ao fogo, a palavra de Cristo não só incinera a incredulidade e a dúvida, como também ilumina a mente obscurecida, trazendo clareza de entendimento. Portanto, durante a sua peregrinação terrena, mantenha sua mente focada nos ensinos e na pessoa de Jesus, o Rei dos reis e Senhor dos senhores. A ele toda honra e toda glória, pelos séculos dos séculos. Amém.

 

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