DO FRIO À
CHAMA VIVA
Texto Base:
Lucas 24.36-48
Pr. José
Vidigal Queirós
Introdução
Esta é a segunda mensagem
extraída do capítulo 24 do evangelho de Lucas, cujo tema está expresso de forma
alegórica. O objetivo consiste em descrever como o encontro pessoal com Jesus
fez acender a chama que revitalizou a fé de dois discípulos de Jesus, vitimados
por numa crise demarcada por uma frigidez espiritual, oriunda de uma expectativa
distorcida sobre a pessoa do Messias. Este fato suscita em nós uma questão
desafiadora: como é possível um crente, imerso numa crise espiritual
depressiva, ter seu coração inflamado pela chama viva da esperança? Devido
às nossas limitações, acreditamos que isto será possível somente através de uma
intervenção divina.
1.
A
revitalização espiritual acontece través de um contato pessoal com Jesus numa
perspectiva transcendental.
Reconhecemos
que isso se trata de uma intervenção providencial divina que tem dois
objetivos:
1.1. O primeiro objetivo é apaziguar a alma
angustiada – “paz seja convosco!” (v. 36).
·
Em hebraico, o
termo usado por Jesus (Shalom Aleichem), que foi traduzido como paz, literalmente,
significa o estado de uma pessoa plenamente satisfeita, abençoada com saúde e
prosperidade e que goza de um relacionamento saudável com todos onde a justiça
prevalece. Portanto, a paz de Cristo diverge daquela que o mundo dá – “Deixo-vos
a paz, a minha paz vos dou; não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe o
vosso coração, nem tenha medo” (Jo 14.27, A21).
·
A paz entre o
homem e Deus é estabelecida numa dimensão transcendental – “E a paz de Deus,
que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em
Cristo Jesus” (Fp 4.7).
1.2.
O segundo
objetivo é suscitar na alma conturbada uma fé transcendente que rompe os bloqueios
da mente humana – “Ele, porém, lhes disse: Por que estais angustiados? E por
que surgem dúvidas em vosso coração? Vede as minhas
mãos e os meus pés, que sou eu mesmo” (v. 38-39,
A21).
Aplicação
Quem é Jesus para você? Qual
o nível de relacionamento que você tem com ele? Esteja ciente de que cada um de
nós precisa estar convicto de que o fervor espiritual só emerge quando deixamos
de tratar Jesus com as abstrações da nossa mente. Cristo jamais deve ser
idealizado como uma abstração fantasmagórica oriunda do fanatismo religioso.
Cristo é o Filho de Deus encarnado no homem Jesus, o rabino galileu revelado
como o Messias que veio ao mundo concretizar os desígnios redentores de Deus.
2. A revitalização espiritual acontece
quando a lucidez de origem divina nos revela o sentido correto das Escrituras.
2.1. A humanidade pecadora foi capturada
pelos poderes das trevas e encontra-se espiritualmente cega, pois “o deus
deste século cegou a mente dos incrédulos, para que não vejam a luz do
evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus” (2Co 4.4, A21).
2.2. A revelação divina, registrada nas
Escrituras, é uma mensagem cristocêntrica, tal como Jesus afirmou: “importava
se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e
nos Salmos” (v. 44).
2.3. O entendimento das Escrituras exige
abertura da mente para absorção das verdades reveladas por Deus – “Então,
lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras” (v.45).
2.4. O plano perfeito de Deus, ratificado
nas Escrituras, contempla o sofrimento, a morte, a ressurreição e a
glorificação de Jesus, tal como ele disse – “Assim está escrito” (v.
46).
·
A ressurreição
foi uma realidade comprovada que validou as declarações de Cristo acerca de sua
vitória sobre a morte (At 2.23-24).
·
A ressurreição
de Jesus foi necessária para confirmar sua divindade (Rm 1.4)
·
A ressurreição
foi necessária para que o corpo de Jesus pudesse receber glorificação e
imortalidade (Fp 3.21).
Aplicação
Muitos crentes se perdem
eternamente porque enveredam pela religiosidade formal, alicerçada no ceticismo
que distorce a essência da revelação de Deus. O trajeto a ser percorrido em
direção ao fervor espiritual tem como princípio norteador o entendimento claro
e preciso de tudo que Deus revelou e foi registrado nas Escrituras, desde
Moisés até os apóstolos.
Conclusão
Amados irmãos, nenhum de
nós está isento de atravessar uma crise espiritual depressiva semelhante à que
foi vivenciada pelos discípulos de Jesus. A mensagem que agora ouvimos nos faz
admitir que, se alguém entre nós se sente espiritualmente frio, cético ou desmotivado,
há caminhos que vão direcioná-lo ao ardor espiritual. Se este é o seu caso,
então, concentre-se nos ensinos de Jesus, cujo conteúdo haverá de suprir suas
aspirações transcendentais.
Investigue as Escrituras com
a mente de Cristo, para que seja restaurada sua intimidade com Ele, pois isto
lhe trará à memória o fato de que ele é o mediador da eterna aliança que Deus firmou
com os remidos. A chama viva da renovação da fé em Cristo não é acesa pelo esforço
humano, mas é o efeito da presença do Cristo ressuscitado dentre os mortos. Portanto,
invoque sinceramente a presença de Jesus e mergulhe nas Escrituras, favorecendo
a ele a abertura do seu entendimento. Que hoje, em lugar das cinzas da
decepção, Deus ascenda em seu coração labaredas de esperança. Amém.
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